CHARISMA Trial

O uso de clopidogrel associado à aspirina nos pacientes com doença cardiovascular estável ou múltipos fatores de risco cardiovascular não trouxe benefício na redução de eventos cardiovasculares.

Antiplaquetários

O estudo CHARISMA (Clopidogrel for High Atherothrombotic Risk and Ischemic Stabilization, Management, and Avoidance Trial) comparou o uso de clopidogrel 75 mg associado à aspirina (75 a 162 mg) com aspirina isolada, na redução de eventos cardiovasculares, em pacientes com doença aterosclerótica estabelecida (coronária, cerebrovascular ou doença arterial periférica) ou múltiplos fatores de risco.  O estudo envolveu 15.603 pacientes, em um desenho prospectivo, multicêntrico, randomizado, duplo cedo e controlado por placebo. A meta primária de eficácia do estudo foi avaliar a incidência de infarto do miocárdio (IAM), acidente vascular cerebral (AVC), ou morte cardiovascular nos dois grupos. A incidência foi de 6,8% no grupo tratado com clopidogrel e aspirina e 7,3% no grupo aspirina (RR=0,93; IC 95% 0,83-1,05; p=0,22).  Na avaliação de segurança, não houve aumento significante da incidência de sangramentos maiores (sangramentos fatais, intracranianos ou com instabilidade hemodinâmica), sendo de 1,7% no grupo clopidogrel e aspirina e 1,3% no aspirina (RR 1,25; IC95% 0,97-1,61 e p=0,09). Na análise da meta secundária, composta por IAM, AVC, morte cardiovascular, ou hospitalização por angina instável, ataque isquêmico transitório ou revascularização, foi evidenciado benefício a favor do grupo clopidogrel e aspirina, com incidência de 16,7% versus 17,9% do grupo aspirina isolada (RR 0,92; IC95% 0,86-0,995; p=0,04).O uso do clopidogrel, entretanto, implicou num aumento de sangramentos moderados (com necessidade de transfusão, porém sem critérios de sangramento maior), com ocorrência de 2,1% versus 1,3% no grupo de aspirina (RR 1,62; IC95% 1,27-2,08 e p<0,001). Assim pode-se concluir que não há indicação para o uso do clopidogrel associado à aspirina na prevenção primária de eventos cardiovasculares, em pacientes com múltiplos fatores de risco, ou doença aterosclerótica estável.  A utilização da terapia antiplaquetária dupla fica reservada para os pacientes com angina instável, infarto agudo do miocárdio ou após angioplastia com stent. (Deepak  L. Bhatt,  et al. N Engl J Med 2006; 354: 1706-17).

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